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Era um menino, não como outro qualquer, esse era especial. Na verdade era já um homem feito, no físico e nas feições, na maneira como “guarda” suas coisas sérias e no jeito de quem faz cara de mal para amedrontar os outros, mas que havia nele um ar de moleque travesso que a maioria abandona com o avanço da idade.
Por isso gostava de observá-lo, gostava da maneira como se movia, de como olhava para vida com os olhos de quem espera sempre alguma novidade. Gostava do jeito como amava ou odiava, da sua intensidade, da maneira como construía seu mundo, seu casulo, cercado por sonhos e desejos, reais ou imaginários, cheios de antagonismos e imperfeições que faziam dele um ser único e especial.
Era dessas pessoas que carregam um brilho próprio, que chama a atenção daqueles que estão por perto, que conseguem fazer da sua presença um espetáculo à parte. Daqueles que ri, chora e se emociona na frente de todos, que não tem medo dos escorregões e tropeços que a vida nos dá. Que não se contenta com pouco. Que consegue te olhar nos olhos e dizer que entende tudo o que você está sentido naquele momento, e você sabe que ele está sendo sincero naquela sua pequena observação do nosso mundinho particular e egoísta.
É um homem, sim. Daqueles raros de se encontrar ultimamente, daqueles que a vida só reserva uma única vez para cruzar o nosso destino, para nos fazer espiar a vida por trás do véu da maturidade que estamos adquirindo.
Tentou entendê-lo, mas desistiu quando percebeu que para a ele a vida é como eterna encenação de bocas e corpos, interesses e aflições, personagens e espectadores de um teatro que muda a cada hora e a cada nova encenação merece uma opinião diferente. Por isso restringiu-se apenas a continuar observando seus movimentos e a maneira como tece de forma barroca seu universo particular.

- Postado por: Cris às 09h48
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